3.12.10


Hoje o dia estava a correr-me bem, e eu até me sentia feliz. Mas quando cheguei a casa e entrei no meu quarto, lembrei-me de ti, não sei porque, mas lembrei. E corri para a minha caixa das recordações para ver tudo o que tenho teu, para te sentir aqui mais um bocadinho. E senti. Senti o meu coração a despedaçar-se ainda mais, senti arrepios de desilusão.. Mas não vou dizer mais que preciso de ti, porque eu tenho de meter na cabeça que não preciso, que consigo cuidar de mim sozinha, que não preciso das tuas palavras, que a tua segurança não me faz falta, que estou muito melhor assim, contigo longe de mim. E na realidade, estou mesmo. Contigo, estou a magoar-me, e sem ti, também. Mas sem ti é só por agora, porque eu sei que mais tarde vai passar, que mais tarde a magoa desaparece, a dor desaparece, tudo desaparece. E os meus dias voltam a ter sete cores, sete alegrias, quer dizer, mais. Os meus dias vão ser alegres de manhã até à noite, porque eu não vou pensar em ti, porque todas as recordações vão deixar de fazer sentido e porque o meu coração, esse, aí esse, já vai estar limpo e sem cicatrizes.
Tu sabes L., tu sabes que isto sem ti está tudo diferente, que isto ficou tudo virado de pernas para o ar, que por mais que eu queira esconder está à vista de todos, tu sabes, é impossível tu não sentires. É impossível tu não reparares na minha alma sempre a vaguear atrás de ti. É impossível! Mas eu aceito. Aceito o frio destes dias, aceito a tua ausência, aceito esta dor, aceite este tempo. Porque fui eu que tive a coragem de te dizer Adeus, porque fui eu que me despedi de ti, porque agora, sou eu quem não quer mais nada do que já foi nosso. E sim, estou decidida, nada me fará voltar atrás. Nem a hipótese de ter tudo como no inicio!
Chega de fazer só por fazer, pensar só por pensar, dizer só por dizer, sentir, nem é só por sentir, é mesmo não sentir.


Os nossos caminhos não se cruzam mais. Tu segues o teu, e eu, eu sigo o meu!


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