27.11.10


Eu também tenho medo, eu também temo, eu também me canso. Mas não brinco contigo. E sinto que a vida está a atropelar tudo o que já construímos e deitamos abaixo milhares de vezes, sinto que desta vez é para sempre, e é, porque eu quero. Porque estou farta, farta e cheia das tuas indecisões, dos teus contra-tempos, dos teus jogos de criança, do teu coração que nunca sabe o que quer, da tua cabeça cheia de esquemas, e dessa tua alma, que pronto, que eu nem sei por onde anda. Mas também vou ter de aprender que não posso querer saber, que não me posso preocupar contigo, porque tu já provaste vezes sem conta que sabes tomar conta de ti. Apesar de eu achar que não é da melhor maneira. Quer dizer, para ti até pode ser, porque afinal, eu não te conheço, porque já devia saber quando estás a falar a sério e a mentir, mas esta parte também já deve ter mais a ver com a minha inocência, visto que eu só quero acreditar em ti, só quero acreditar que todas as palavras que me dizes e escreves são sinceras, mesmo que tenhas atitudes que só me levam a crer o contrário.
Hoje é o fim! Podes levar tudo o que pertecence, podes levar as cartas, os bilhetes de comboio ou de auto-carro das viagens que faziamos de um lado para o outro, leva tudo o que quiseres, mas em troca, deixas aqui o meu coração. E não importa se o tens guardado no bolso, ou fechado numa gaveta, lembra-te de que ele é meu, e apesar de estar contigo, sou eu que sinto todos os estragos que fazes com ele, sou eu que sinto os pontapés que lhe dás quando te zangas com o mundo. Sou eu, sou eu que passo noites em claro por tua causa, ou então, acontece como hoje, adormeço cansada e ainda sonho contigo. Tu um dia disseste-me que só nos lembramos dos nossos sonhos quando desejamos realmente que eles aconteçam, e a minha vontade é agarrar no telmovél e dizer-te, dizer-te que sonhei contigo e que tudo o que eu mais queria era que estivesse comigo. Mas se fosses diferente, mas se não brincasses comigo, mas se estivesses diposto a lutar, não por um passado teu, mas por um passado nosso. E tu não estás, não tens espaço para mim na tua vida, ou melhor, até tens, mas é só para uma vez ou outra, e eu não quero isto assim. Não vou ser mais a loira que tu dizes ser tua, não vou ser mais a menina que vai estar sempre à tua espera, não vou ser mais a criança que grita, que chama por ti e tu não ouves, não ouves porque não queres, porque finges não entender que tudo o que nutro por ti, é desde sempre, verdadeiro.
Eu nunca me vou esquecer de ti, nunca me vou esquecer da cara cómica que fazes quando estás distraído, nunca me vou esquecer da primeira vez que me deste a mão, nunca me vou esquecer nem do primeiro nem do último beijo, nunca me vou esquecer de andar à chuva contigo, ou então, de andarmos a passear com aquele meu guarda-chuva vermelho, nunca me vou esquecer dos abraços que à uma semana atrás me deste, nunca me vou esquecer da primeira vez em que olhos nos olhos disseste que me amavas, nunca me vou esquecer desse sorriso encantador, nem desses olhos castanhos vulgares, mas que para mim são os mais bonitos de todos, nunca me vou esquecer das brincadeiras, dos momentos, das palavras, das promessas não cumpridas, nunca me vou esquecer de tudo o que já nos pertenceu. Porque aliás, não poderei esquecer nunca o verdadeiro amor da minha vida. O primeiro pelo qual já chorei de saudades, o primeiro pelo qual corri atrás, o primeiro pelo qual lutei, e o primeiro pelo qual hoje desisto. Mas desisto mesmo. Aqueles ataques em que a confiança volta não vão chegar nunca mais. Porque hoje, mais do que nunca, é a sério, é a sério que me despeço de ti, que me despeço de um passado perfeito, de um amor acabado, de um coração vádio, de uma alma esgotada. Não vou ser mais prisioneira do sentimento que nutro por ti. Não vou ser mais um último recurso. E é assim que acaba a nossa história, com um adeus para sempre.
E como podem ver, nem todas as histórias de amor têm finais felizes!

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